top of page
IMG_3174 2_FINAL-001.jpg

 

 

 

                                                     

 

 

 

 

 

   

IPIRANGA COM SÃO LUIS .    

HÁ DOIS ANOS PESQUISO IN LOCO DA MINHA JANELA, NO CRUZAMENTO DAS DUAS AVENIDAS CARREGADAS DE PAULISTANIDADE, A COREOGRAFIA DO URBANO.UM URBANO QUE ULTRAPASSA AS FRONTEIRAS DE SÃO PAULO, PORQUE DA MINHA JANELA, DE ONDE VEJO O CRUZAMENTO DA IPIRANGA COM A SÃO LUIS, VEJO MUITO MAIS.VEJO O BRASIL.

TUDO ACONTECE ALI. OU DALI.NO TRAÇADO DAS FAIXAS DE SEGURANÇA O CAOS DA METRÓPOLE SE ORGANIZA.A GEOMETRIA PINTADA NO ASFALTO TEM LINGUAGEM PRÓPRIA. ESTABELECE DIÁLOGO COM A CIDADE.

VEJO O CIDADÃO SOLITÁRIO, APRESSADO, QUE NÃO PODE PARAR, MAS PÁRA: PÁRA NA FAIXA. A MULHER MAIS VELHA, VAGAROSA; A MULHER DE SALTO ALTO, A CRIANÇA, O BEBÊ EMPURRADO NO CARRINHO. OU O CARROCEIRO, O EXECUTIVO DE TERNO, A TURMA BARULHENTA DE ESTUDANTES, A LOIRA, A RUIVA, O NEGRO, A NEGRA, O MOÇO, O VELHO. GENTE QUE ATRAVESSA AO SINAL VERDE E PÁRA NO VERMELHO.

MULTIDÃO OBEDIENTE. SOBREVIVENTE.

PARA ATRAVESSAR OU DEIXAR ATRAVESSAR, AS LINHAS BRANCAS SE TRADUZEM EM SEGURANÇA. DESENHAM URBANIDADE UNIVERSAL PARA O UNIVERSO PARTICULAR QUE VEJO DA MINHA JANELA. AQUELA ESQUINA, AQUELE INSTANTE, AQUELE CLIQUE.

AQUELA BRASIL.      

MEU FOCO INICIAL FOI CAPTAR DO ALTO AS IMAGENS DO GRANDE CRUZAMENTO EM DIAS DE CHUVA: NA MESMA JANELA, NO MESMO ÂNGULO, NO MESMO HORÁRIO. POR QUASE DOIS ANOS ME ABASTECI DESSA OBSERVAÇÃO METÓDICA.

UM DIA ERAM AS CORES QUE MAIS ME CHAMAVAM A ATENÇÃO E ME INUNDAVAM O VISOR DA CÂMERA - AS CORES DOS GUARDA-CHUVAS E SOMBRINHAS DANÇANTES, O COLORIDO VIVO DOS PASSANTES NO CONTRAPONTO DO DIA SOMBRIO, CINZENTO E MOLHADO. OUTRAS VEZES EU NOTAVA MAIS AS PASSADAS LARGAS OU OS PASSOS MIÚDOS DOS QUE ATRAVESSAVAM. UM DIA, A MULTIDÃO, O CONJUNTO, A COREOGRAFIA DO TODO. NO OUTRO, ALGUÉM QUE EU JÁ VIRA PASSAR ALI, CLICADO ALEATORIAMENTE, E QUE AGORA ME DAVA A CHANCE DE REVER, REFOTOGRAFAR.

UMA DANÇA ÚNICA, SOLITÁRIA.

CÁ DE CIMA, DA MINHA JANELA DA IPIRANGA COM A SÃO LUIS, A PAISAGEM URBANA É NECESSARIAMENTE POPULAR, NENHUM INDÍCIO DE ELITISMO, QUANDO O OLHAR NÃO SELECIONA. ]NAQUELE INSTANTE,QUEM ATRAVESSA SOB A MINHA LENTE NÃO TEM RIQUEZA OU POBREZA NEM BONDADE OU MALDADE.

MEU CLIQUE NÃO DIFERENCIA. APENAS REGISTRA: CADA UM NA SUA ROTA, EM MEIO AO CAOS ORGANIZADO, NA GEOMETRIA QUE PROTEGE.

QUERO MINHA FOTOGRAFIA DIALOGANDO, ENTRANDO NA CONVERSA COM A CIDADE.

MINHA FALA É COM O BRASIL.

PORQUE É O BRASIL QUE PASSA SOB A  MINHA JANELA.

 

DSC00894.jpg
              da série     O BRASIL                             DA MINHA JANELA
bottom of page